quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A fuga!

Laplace estava em uma espécie de escritório, tinha visto uma sala com livros enquanto estava sendo escoltado, agora estava na sala, seus cálculos tinham sido extremamente precisos e por sorte não tinha ficado preso dentro de algum objeto, estava cansado, a fadiga mental e física provocado por essa magia era enorme, Laplace tinha um plano de fuga, mas antes precisava recuperar sua energia, tinha que ser rápido, pois Mizuki provavelmente sabia que o seu teletransporte não ia ser o suficiente para conseguir escapar da barreira e já estaria atrás dele nesse momento.

O escritório era um lugar grande, as paredes tinham um tom vermelho, havia várias janelas, uma grande mesa, uma estante cheia de livros e havia três portas, duas que estavam ao mesmo lado e provavelmente daria para o mesmo corredor. Laplace tentava esconder sua presença, infelizmente não conhecia nenhuma magia que o deixaria invisível, então teria que evitar ser visto a qualquer custo. Ainda tinha alguns cristais e um dos itens mais precioso da sua família, a faca que outrora tinha sido da sua avó, que passou para sua mãe e que agora era sua, provavelmente estava na sua família a anos, um dos poucos itens que seu pai não tinha levado, a faca se encontrava escondida no baú de cristal que o seu bisavó tinha lhe dado, cheio de cristais encantados, o que o seu pai facilmente ignorou e nem se preocupou em destruir.

A primeira coisa que o laplace fez foi trancar as portas que davam para os corredores, estava muito barulhento do lado de fora, o que mostrava que ele tinha pouco tempo, nas portas ele usou mais dois cristais, esses eram da cor azul, os cristais criaram uma barreira na parte de dentro da sala, desse modo, ninguém conseguiria abrir as portas e não perceberiam a barreira, Laplace sabia que aquilo era inútil, mas provavelmente a única pessoa que conseguiria arrombar a porta seria a própria Mizuki. Não estava sentindo a presença de nenhuma pessoa com o dom de magia por perto, além da Mizuki, mas sabia que não sentir nada, não implicava que não havia alguém poderoso por perto.

Enquanto recuperava a sua energia, teve a ideia de olhar os livros do escritório, queria encontrar algum livro com ensinamentos de magias de cura, uma vez que Mizuki negou ajuda, talvez tivesse sorte ao encontrar algum livro com conhecimento que pudesse ajudar Sophia, novamente veio na sua mente que a sorte não estava sorrindo para ele.

Havia vários livros, a maioria empoeirados, mas nenhum útil. Laplace ficou atento ao escutar algo correndo pelo corredor. Tentou dar uma olhada o mais rapido possível no livro, viu que alguém tentou abrir a porta em um esforço falho, agora era apenas questão de minutos até Mizuki encontrá-lo, não tinha mais tempo tinha que se teletransportar, tentou e não conseguiu, precisava conseguir mais tempo, se esconder, lembrou da terceira porta. Só lhe restava mais dois cristais e sua magia não era forte o suficiente para ganhar de Mizuki em um duelo arcano, então foi em direção a terceira porta, tentou abri-la, mas ela estava trancada. Pegou distância, saiu correndo e com um chute, tentou arrombar a porta, depois de mais duas tentativas desistiu. Pegou um dos cristais que estava dentro do seu bolso, de cor amarela, colocou perto da maçaneta da porta e torceu para que o seu poder fosse o suficiente. O cristal começou a ficar com um tom mais forte e quase que instantaneamente começou a brilhar, depois de uns cinco segundos a maçaneta explodiu em dezenas de fragmentos, fazendo Laplace dar um salto para trás espantado. Ele conseguiu, a porta estava aberta.

Era uma pequena sala, tinha uns papéis caídos no chão e alguns na mesa, havia também uma tela usada normalmente para fazer desenhos técnicos, nela tinha alguns símbolos provavelmente chinês ou japonês, nada muito útil, nem se preocupou em fechar a porta, o estrago nela era evidente de mais, tinha que achar outro lugar para se esconder. Algo chamou a sua atenção em um dos papéis, havia algo parecido com Ofudas, tentou reunir os papéis, provavelmente era o primeiro indício de algo relacionado com magia que tinha visto, por ironia a explosão que ele provocou fez com que os papéis se espalhassem por toda a sala.

Uma grande explosão. Mizuki veio voando em direção a Laplace, que rapidamente pegou alguns papéis, e segurou o último cristal vermelho. Mizuki pega várias agulhas e lança na direção de Laplace que tenta ser rápido e joga o cristal vermelho no chão, fumaça toma conta do lugar.

Laplace conseguiu teletransportar novamente, reparou que tinha uma agulha em um dos seus braços, tirou e tentou andar, em direção ao campo de força, por sorte não tinha ninguém para tentar pará-lo. Provavelmente todos os guardas estavam dentro da casa, pegou sua faca e sem muito esforço conseguiu cortar um buraco na barreira mágica. Mizuki explodiu uma das paredes do escritório, ao reparar que o Laplace estava do lado de fora, foi voando em sua direção. Laplace entrou em no meio do mato, começou a correr e tentou se teletransportar, se virou e reparou que Mizuki não estava muito longe dele, a adrenalina fez com que ele corresse o mais rápido que conseguia, mas tinha algo errado, o seu braço estava pesado, quando ele olhou, viu que seu braço estava virando pedra! Mizuki acertou outra agulha em Laplace, dessa vez em sua perna direita que começou a ficar cada vez mais pesada. a jovem alcançou Laplace que já não conseguia andar direito, preparou uma agulha e mirou no pescoço dele. Quando a Mizuki tentou dar o golpe final algo a impediu... era Jun Yi.

Nenhuma palavra foi dita pelo dois, apenas uma troca de olhares, a mensagem tinha sido entendida, Mizuki recuou, o braço de Laplace estava totalmente transformado em pedra e seu ombro começou a se petrificar também, assim como sua coxa. Jun Yi em profundo silêncio tocou em seu braço, uma onda de energia preencheu Laplace acalmando-o e aquecendo-o , seu corpo voltara ao normal. Tentou falar algo, agradecer, contar sobre Sophia e pedir ajuda, mas simplesmente não conseguiu emitir nenhum som.

- Estou pagando um favor que devia para sua mãe! – Falou Jun Yi – Se você presa pela sua vida, nunca mais volte aqui – O velho desapareceu no ar.

Laplace foi para o carro, estava cansado e sujo, começou a a dirigir sem rumo, o silêncio tomava conta do seu ser, não pensava em nada, só dirigia, ficou um bom tempo assim, até que encontrou um hotel no meio da estrada. Saiu, pagou um quarto e foi para o banheiro.

Assim que a água encostou no seu corpo, um sentimento de fracasso se apossou dele e o aviso de sua avó lhe veio a mente. Pensou em Sophia, em sua mãe, na sua falha e inocência, era muitas informações para processar, como ele podia ser tão idiota! Por quer ele era tão fraco? O pouco de magia que sabia tinha aprendido com seu bisavô e era truques de criança comparados ao que Mizuki podia fazer. Ficou quase uma hora no banho, debaixo da água gelada. Se secou, pegou o carro e foi em rumo a sua cidade.

Nem se preocupou em saber as horas, só sabia que estava escuro. Precisava ver Sophia, mas não conseguiria, não tinha como se teletransportar para o quarto dela.Aceitou sua fraqueza e foi para sua casa. Era tarde demais, aparentemente sua avó não estava em casa, tinha um recado colado na geladeira, simplesmente ignorou e foi para seu quarto dormir.  


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