Laplace ficou as duas primeiras horas com sua avó que logo mandou ele ir descansar para acordar cedo no outro dia, enquanto ela ficava na caverna lendo e acendendo os novos incensos. E foi isso que ele fez, deitou na cama, mexeu de um lado para o outro, mas não conseguia dormir. Resolveu pegar os papéis que ele havia pego na mansão de Mizuki e dá uma olhada no que estava contido neles, estava escrito tudo em chinês. Usando um tradutor online ele tentou traduzir alguns textos, mas nada fazia muito sentido. Procurou então uma tradutora profissional, ligou para ela, combinou o preço e a data, para outro dia, sabia que a tradução em caráter de emergência ficaria muito caro, mas ele tinha pressa. Tirou as melhores fotos possível das folhas, não sabia a ordem que os papeis tinham que ficar e enviou para a tradutora. Procurou os mangas da Sakura, e começou a ler, nele tinha um personagem que usava ofuda, Syaoran Li. Várias ideias começaram a surgir na cabeça de Laplace, ideias que não deixaram ele dormir a noite.
Quatro e cinquenta da madrugada e o despertador toca, Laplace estava morrendo de sono mais sabia que o que ele estava fazendo era importante. Levantou, tomou um banho, comeu algumas frutas e foi para o quarto de sua avó, atravessou o espelho e sentiu o vento gelado da caverna.
- Bom dia Laplace. - disse sua avó com um sorriso amistoso.
- Bom dia.
- Agora você assume! É só fazer aquilo que me viu fazer ontem, só acender novos incensos. Preciso dormir umas dez horas agora, não sou mais uma bela moça que chegava em casa as cinco da manhã depois de uma noite de balada.
Dona Alderte foi para casa deixando seu neto sozinho na caverna.
Laplace se encostou em um canto, fechou os olhos e dormiu. O alarme começou a tocar as cinco e cinquenta e cinco, Laplace acordou assustado, estava na hora de colocar mais incensos. Reparou que a fumaça que ontem estava só para cima, hoje parecia estar um pouco inclinada. Colocou novos incensos que acenderam instantaneamente, sentiu uma grande energia pulsando do meio do circulo mágico. Repetiu os mesmo passos, o tédio tomava conta dele com o passar do tempo, não tinha levado nada para se distrair. Uma hora, estava morrendo de fome, comeu um pedaço de bolo que sua avó tinha deixado na caverna, a fumaça estava mais inclinada. Ele logo reparou que algo estava atraindo a fumaça para o centro do lago e essa estava formando uma espiral.
As horas passaram, até aquele momento não havia passado pela cabeça dele que ele não ia ver Sophia durante aquela semana. Quando deu cinco horas Dona Alderte voltou, e junto Laplace recitou novamente o encantamento, o fogo nas velas ficou mais intenso e a fumaça dos incensos ficou mais densa.
Laplace voltou para casa e dormiu por algumas horas. Acordou e era onze da noite, ligou o computador para verificar se havia algum e-mail, a tradutora tinha enviado os arquivos para ele. Imprimiu e começou a dar uma olhada no material. Tentou organizar os texto na melhor ordem possível, mas parecia que tinha algumas partes faltando e partes sobrando. O texto estava descrevendo a historia do ofuda, e ensinando o jeito mais recomendável de se fazer. Estava escrito que é usado um papel fino e uma tinta previamente preparado. A próxima pagina falava um pouco sobre os espíritos responsáveis pela magia e começava a descrever como era o ofuda do vento, mas não terminava, a próxima pagina falava sobre os demônios do fogo e tinha uma figura de um ofuda usada para controlar o fogo, as outras páginas era mais questão de espiritualismo, não estava muito ligado com a magia elemental. O texto deixava claro, que apenas a união de três coisas poderia fazer o ofuda funcionar: palavra, corpo e mente. Laplace sabia que não tinha nenhum material previamente preparado, então ele teria que tentar com materiais simples e genéricos, mas isso poderia ficar para depois. Voltou para o quarto e dormiu.
O dia seguinte foi muito parecido com o dia anterior. Agora a fumaça de todos os incensos se encontravam no meio e em nenhum momento ela se cruzava, a fumaça parecia um fluxo com um caminha a percorrer, a água do lago agora começava a girar lentamente parecendo que iria formar um redemoinho a qualquer instante. O tédio tomava conta de Laplace, questionava se não havia outro meio de criar um portal, um meio mais rápido, talvez tinha, mas era esse o único meio que sua família conhecia. Estava na hora de colocar mais três incensos em cada batata a questão é que as batatas não tinha mais lugar para furar. Laplace pegou cinco batatas na sua casa, em uma colocou três incensos. Teria que fazer algo, esperava não fazer nada errado, colocou uma batata nova perto de uma antiga, o incenso não acendeu, foi empurrando a batata antiga com a nova, ate o momento que a antiga apagou e a nova acendeu, reparou que a fumaça dos outros incensos parou de sair por um momento, mas rapidamente a fumaça retornou e estabilizou a espiral, aparentemente estava tudo normal, repetiu o processo ate conseguir trocar todas as batatas.
Laplace começou a comer umas barras de cereais que tinha levado, olhou para o relógio era duas e quinze da tarde, resolveu pegar algumas coisas na sua casa para testar os ofudas, passou pelo quarto de sua avó que estava dormindo, pegou várias folhas de papel de seda, era o papel mais fino que ele possuía em casa, pegou um pincel, algumas canetas e levou para a caverna. O alarme do celular começou a tocar, estava na hora de colocar novos incensos e foi isso que ele fez, a energia agora estava mais pesada. Sentou em um canto da caverna, perto de uma vela, e começou a copiar o símbolo para manipular o fogo que estava nos papéis que tinha pego, quando o símbolo já estava pronto, abriu um aplicativo no celular que traduzia frases para outras línguas e escreveu a seguinte frase no aplicativo: Venha a mim fogo. Tentou repetir mais não conseguiu, a pronúncia do aplicativo era rápida.
- Seria tão mais fácil falar fogo venha a mim em português.
Ao terminar de falar, aconteceu duas coisas ao mesmo tempo, o fogo das velas aumentaram cinco vezes seu tamanho e a ofuda que estava em sua mão esquentou e logo em seguida virou cinza, sem ao menos ter pegado fogo.
- Idiota! - gritou para ele mesmo – Quase estrago tudo, a magia do portal é bem sensível! Onde estava com a cabeça?
As velas já tinha voltado ao normal, tudo parecia normal até a hora de adicionar novos incensos. O celular despertou e ele o fez. E foi só isso que ele fez, o celular despertava e ele adicionava novos incensos. Até que sua avó chegou, pediu para ele recitar o encantamento novamente. Agora a água estava girando mais rápida, e a fumaça começou a se inclinar suavemente para baixo indo em direção a água do lago. Como sua avó não tinha dito nada, deveria estar tudo normal, esse era o pensamento dele, então se despediu, foi para o seu quarto e dormiu.
Acordou de madrugada, tinha acabado de fazer uma hora. Pegou o mesmo papel e uma caneta e fez o mesmo símbolo, levantou o papel, se concentrou e falou:
- Fogo venha a mim!
Novamente o papel virou cinza, mas dessa vez nem esquentou, repetiu a mesma coisa três vezes e chegou a conclusão que era bem provável que essa magia era para controlar o fogo – se lembrou do que tinha acontecido com a vela – e não para criar um novo fogo. Pegou uma vela comum e acendeu ela, repetiu o mesmo procedimento e a única coisa que acontecia era o papel virar cinza. Tentou ser otimista, pelo menos ele tinha aprendido uma magia de fazer cinza. Ia tentar pela ultima vez, mas a tinta da caneta tinha acabado, então fez o símbolo com um pincel que tinha em cima da sua mesa.
- Fogo venha a mim.
Dessa vez o papel não apenas pegou fogo, como também começou a saltar pequenas bolas de fogo. O dedo do Laplace começou a queimar e ele soltou assustado, uma das bolas de fogo caiu em um monte de livros que estavam no chão do quarto que entraram em combustão rapidamente, pegou a coberta que estava em cima da cama, e jogou sobre os livros para apagar o fogo. Chegou a conclusão que ofudas não era seguro e tinha que comprar um extintor de incêndio.
Se antes ele não estava com sono, agora tinha perdido completamente a vontade de dormir, foi para sala e ligou a TV.
O celular despertou, era oito e cinquenta e cinco, saiu correndo para a caverna, nem se preocupou em comer.
- Desculpa! - Gritou para sua avó.
- Tudo bem! Eu deixei você descansar, eu poderia ter te acordado atravessando o espelho. Bom, agora é minha vez de descansar.
Laplace pegou os incensos e colocou mais três em cada batata, estava no terceiro dia do ritual, o último que ele podia falhar, tinha que ficar mais esperto daqui para frente, estava com saudades de Sophia. Nesse dia ele apenas trocou os incensos e mais nada.
A fumaça dos incensos fazia uma arco, uma espiral e se encontrava no meio do lago que nesse momento parecia um redemoinho. Ficou pensando como será que aquela magia funcionava, pensou em um sentido elementar. Tinha a água do lago, o fogo da vela e a fumaça do incensos que em muitas culturas representa o elemento ar. Mas tem um desequilíbrio, pois não tem o elemento terra, talvez é ai que entra a pedra de ether. Há também um encontro entre a fumaça e a água, ou melhor o ar e a água, mas por alguma razão o fogo não vai a esse encontro. Talvez o fogo representa a luz e não o elemento fogo em si. Laplace ficou absorto por um bom tempo em seus pensamentos e toda vez que o alarme tocava, ele trocava os incensos.
Dona Alderte voltou e trazia com ela a pedra de ether.
- Repita o ritual, quanto terminarmos, jogaremos a pedra de ether no centro do lago!
Laplace seguiu o que sua avó tinha dito. Depois que lançou a pedra no meio do lago, a água parou de girar e a fumaça do incenso voltou a subir novamente como estava fazendo no inicio. O silêncio mortal do fracasso tomou conta do Laplace, pois ele tinha desperdiçado a única pedra, sentia que era culpa dele por causa do dia anterior. Depois de alguns momentos uma forte rajada de vento invadiu a caverna desfazendo o circulo feito com farinha de trigo e apagou a primeira vela.
- Deu certo! Agora é só esperar as outras velas apagarem. - disse dona Alderte com um sorriso confiante, colocando a mão nos ombro do neto. -Bom trabalho, agora temos que ser bem mais cuidadosos!
A alegria tomou conta de Laplace que não falou nenhuma palavra.
- Vou continuar aqui, ainda temos que trocar os incensos.
Laplace saiu da caverna, foi até um mercado, comprou comida, aproveitou a oportunidade e comprou um extintor de incêndio, comprou uma garrafa de vinho cara para comemorar. Chegou em casa atravessou o espelho e levou comida para sua avó.
- Meu neto, você não vai acreditar! Eu nunca vi isso acontecer!
Laplace olhou para as velas que estavam todas apagadas e já pensou no pior.
- Deu errado?
- Não, deu certo, muito certo! Eu nunca vi um portal convergir tão rápido, era para as velas terem apagado nos próximos quatro dias, um em cada dia totalizando uma semana. Mas ela apagaram em questão de minutos, olhe para o lago.
O lago estava com um tom azul claro, mesmo tom da vela azul. Laplace saiu correndo pegou duas taças e o vinho que tinha acabado de comprar.
- Desculpe vó, mas ele está meio quente.
- Você não tem ideia do seu poder! - Alderte sorriu e começou a desenhar um círculo mágico com alguns símbolos usando a farinha que ainda havia no saco, pegou o vinho e colocou no centro.
– Repita comigo. Fluxo de calor saia, fluxo de calor saia, fluxo de calor saia.
Como sempre Laplace achava meio ridículo os encantamento de sua avó, mas fez, pois sabia que funcionava. A magia deu certo e a garrafa de vinho ficou bem gelada e os dois beberam, comeram e comemoraram.

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