quarta-feira, 12 de novembro de 2014

O inicio do portal

Alderte tinha um conhecimento muito bom de magia, Laplace não sabia que era possível criar portais que conectava duas regiões da mesma dimensão, as anotações de sua mãe não citavam isso, pelo menos não as partes que ele tinha lido. Alderte saboreava o sonho da padaria com uma cara muito feliz e tomava um suco que tinha acabado de pegar na geladeira da casa de Laplace.

- A criação de um portal é muito complicada e tem varias etapas para seguir. Primeiramente precisamos das velas.

- Sim. Na instrução estava escrito o uso de 5 velas de qualquer cor. Uma das coisas que influência o local que o portal vai ser aberto é as cores da vela, mas a abertura de um portal é algo tão aleatório que tanto faz.

- Não é tão aleatório assim meu neto! – Alderte interrompeu Laplace, pegou um guardanapo e limpou a boca. –  Há três fatores que interfere de maneira significativa na abertura de um portal. O primeiro é o lugar onde se tenta criar o portal, normalmente os portais se abrem para outra dimensão que seja a mais parecida com o lugar original. A segunda coisa é as velas, elas são usadas para contornar isso, velas brancas abrem na dimensão mais próxima e que seja mais parecida com a dimensão onde o portal foi aberto e velas pretas abrem para uma dimensão que se encontra longe, mas a distância depende de quanta magia você consegue usar. E as velas de outras cores, são como fatores de proporções entre a dimensão acessada usando só velas brancas ou só velas pretas. E temos outro fator que na verdade só é importante quando não se usa vela brancas, é o poder magico da pessoa. Ou seja não é algo aleatório, se um mago fizer o mesmo ritual, no mesmo lugar, com velas da mesma cor, tem uma alta probabilidade de abrir um portal para o mesmo local que o mago anterior a ele.

Para Laplace continuava sendo aleatório, uma vez que ele nunca tinha feito essa magia, não sabia o potencial do seu poder e até mesmo as cores que ia usar nas velas, mas resolveu não questionar sua avó. O destino de Sophia dependia de tantas variáveis que ele resolveu pensar no melhor e se focar por completo no que estava realizando naquele momento.

- Precisamos de velas mágicas. Elas vão ajudar na criação do portal deixando-o bem estável e economizando sua energia.

-Eu não faço ideia de onde tenha velas mágicas. Nas anotações de minha mãe ensina a fazer velas mágicas, mas nenhuma que auxilie em criações de portais. Onde vamos conseguir tais velas?

- Na fazenda tem várias dessas e outras coisas mais fantásticas. Me acompanhe!- disse dona Alderte com um pequeno sorriso nos lábios caminhando para a saída da caverna.

Fazia muitos anos que Laplace não ia na fazenda, frequentava ela quando seu bisavô era vivo, foi nela que ele aprendeu seus únicos conhecimento práticos de magia. Chegou na fazenda e ficou meio nostálgico ao ver as várias pedras com formato de folhas gigantes entre as árvores que se encontrava logo em frente a fazenda – ali aprendeu a teletransportar. Resolveu não entrar na fazenda, os empregados e os demais funcionários que tomavam conta da fazenda ficaram todos espiando disfarçadamente ele, sussurrando baixo como ele tinha crescido ou questionando o que ele tinha feito no cabelo para ficar todo branco, entre outras coisas. Nenhum teve coragem ou ousadia de lhe cumprimentar e ele também não queria ser sociável com ninguém.

Alderte saiu com cinco velas grandes, três com tom rosado claro beirando ao branco e duas azuis claro e entregou para Laplace. Carregava com ela algumas caixas de incenso e uma sacola cheia de batatas. Atrás dela havia duas empregadas carregavam alguns lanches.

- Vamos? - falou dona Alderte.

Alderte, Laplace e as duas empregadas foram para caverna. Chegando lá, as empregadas deixaram a comida e as velas na caverna e voltaram.

- Você esta com as anotações de sua mãe aí?

- Não! Está na minha casa.

- Então pegue-as, vamos precisar delas!

Laplace atravessou o espelho e ele tinha que concordar que o portal no espelho iria ser muito útil, pegou as anotações e voltou para a caverna. Dona Alderte já havia colocado as velas ao redor do lago, colocou as velas azuis entre as velas rosas. Entre as velas colocou as batatas e em cada batata três incensos, quando ele chegou perto dela, ela estava terminando de colocar o último incenso. Um dos empregados tinha acabado de chegar com um saco bem grande de farinha de trigo, deixou no chão em um canto e saiu. A parte mais fácil do ritual estava pronta.

- Usando a farinha de trigo desenhe um círculo e o símbolo principal, enquanto isso vou fazer os símbolos secundários.

Laplace pegou a farinha e começou a jogar no chão com o maior cuidado possível, sabia que não tinha habilidade para isso, mas se esforçou ao máximo. Dona Alderte fazia os outros símbolos.

Estava pronto. Laplace entrou em um dos círculos e começou a ler o encantamento, primeiramente uma a uma as velas foram acendendo. Logo em seguida os incensos que começaram a emitir uma fumaça bem visível para cima.

- De agora em diante só a gente entra nessa caverna. Os empregados não vão poder mais nos ajudar.

- O que devemos fazer agora?

- Quantas horas são agora?

- 18 horas! – Falou Laplace pegando o celular no bolso.

- Coloque um alarme para despertar a cada uma hora. Agora vamos fazer uma divisão, vou ficar na caverna até as seis horas da manhã do outro dia e você ficar das seis horas da manhã até as seis horas da noite. A cada uma hora você tem que colocar três novos incensos nas batatas. E é só isso, temos que tentar ser o mais precisos possível, mude o tempo dos alarmes para cinco minutos antes.

- E se não conseguirmos?

- Nos primeiros dias não tem importância, começaremos de novo. A parti do terceiro dia desse ritual usaremos a única pedra de ether que temos e se falharmos teremos que conseguir outra para criar esse portal novamente.

Conseguir outra pedra significava roubar de outra família, Laplace sentia que não tinha poder para isso depois do que havia acontecido na mansão de Mizuki.


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