quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Entre incensos e Ofuda

Laplace ficou as duas primeiras horas com sua avó que logo mandou ele ir descansar para acordar cedo no outro dia, enquanto ela ficava na caverna lendo e acendendo os novos incensos. E foi isso que ele fez, deitou na cama, mexeu de um lado para o outro, mas não conseguia dormir. Resolveu pegar os papéis que ele havia pego na mansão de Mizuki e dá uma olhada no que estava contido neles, estava escrito tudo em chinês. Usando um tradutor online ele tentou traduzir alguns textos, mas nada fazia muito sentido. Procurou então uma tradutora profissional, ligou para ela, combinou o preço e a data, para outro dia, sabia que a tradução em caráter de emergência ficaria muito caro, mas ele tinha pressa. Tirou as melhores fotos possível das folhas, não sabia a ordem que os papeis tinham que ficar e enviou para a tradutora. Procurou os mangas da Sakura, e começou a ler, nele tinha um personagem que usava ofuda, Syaoran Li. Várias ideias começaram a surgir na cabeça de Laplace, ideias que não deixaram ele dormir a noite.

Quatro e cinquenta da madrugada e o despertador toca, Laplace estava morrendo de sono mais sabia que o que ele estava fazendo era importante. Levantou, tomou um banho, comeu algumas frutas e foi para o quarto de sua avó, atravessou o espelho e sentiu o vento gelado da caverna.

- Bom dia Laplace. - disse sua avó com um sorriso amistoso.

- Bom dia.

- Agora você assume! É só fazer aquilo que me viu fazer ontem, só acender novos incensos. Preciso dormir umas dez horas agora, não sou mais uma bela moça que chegava em casa as cinco da manhã depois de uma noite de balada.

Dona Alderte foi para casa deixando seu neto sozinho na caverna.

Laplace se encostou em um canto, fechou os olhos e dormiu. O alarme começou a tocar as cinco e cinquenta e cinco, Laplace acordou assustado, estava na hora de colocar mais incensos. Reparou que a fumaça que ontem estava só para cima, hoje parecia estar um pouco inclinada. Colocou novos incensos que acenderam instantaneamente, sentiu uma grande energia pulsando do meio do circulo mágico. Repetiu os mesmo passos, o tédio tomava conta dele com o passar do tempo, não tinha levado nada para se distrair. Uma hora, estava morrendo de fome, comeu um pedaço de bolo que sua avó tinha deixado na caverna, a fumaça estava mais inclinada. Ele logo reparou que algo estava atraindo a fumaça para o centro do lago e essa estava formando uma espiral.

As horas passaram, até aquele momento não havia passado pela cabeça dele que ele não ia ver Sophia durante aquela semana. Quando deu cinco horas Dona Alderte voltou, e junto Laplace recitou novamente o encantamento, o fogo nas velas ficou mais intenso e a fumaça dos incensos ficou mais densa.

Laplace voltou para casa e dormiu por algumas horas. Acordou e era onze da noite, ligou o computador para verificar se havia algum e-mail, a tradutora tinha enviado os arquivos para ele. Imprimiu e começou a dar uma olhada no material. Tentou organizar os texto na melhor ordem possível, mas parecia que tinha algumas partes faltando e partes sobrando. O texto estava descrevendo a historia do ofuda, e ensinando o jeito mais recomendável de se fazer. Estava escrito que é usado um papel fino e uma tinta previamente preparado. A próxima pagina falava um pouco sobre os espíritos responsáveis pela magia e começava a descrever como era o ofuda do vento, mas não terminava, a próxima pagina falava sobre os demônios do fogo e tinha uma figura de um ofuda usada para controlar o fogo, as outras páginas era mais questão de espiritualismo, não estava muito ligado com a magia elemental. O texto deixava claro, que apenas a união de três coisas poderia fazer o ofuda funcionar: palavra, corpo e mente. Laplace sabia que não tinha nenhum material previamente preparado, então ele teria que tentar com materiais simples e genéricos, mas isso poderia ficar para depois. Voltou para o quarto e dormiu.

O dia seguinte foi muito parecido com o dia anterior. Agora a fumaça de todos os incensos se encontravam no meio e em nenhum momento ela se cruzava, a fumaça parecia um fluxo com um caminha a percorrer, a água do lago agora começava a girar lentamente parecendo que iria formar um redemoinho a qualquer instante. O tédio tomava conta de Laplace, questionava se não havia outro meio de criar um portal, um meio mais rápido, talvez tinha, mas era esse o único meio que sua família conhecia. Estava na hora de colocar mais três incensos em cada batata a questão é que as batatas não tinha mais lugar para furar. Laplace pegou cinco batatas na sua casa, em uma colocou três incensos. Teria que fazer algo, esperava não fazer nada errado, colocou uma batata nova perto de uma antiga, o incenso não acendeu, foi empurrando a batata antiga com a nova, ate o momento que a antiga apagou e a nova acendeu, reparou que a fumaça dos outros incensos parou de sair por um momento, mas rapidamente a fumaça retornou e estabilizou a espiral, aparentemente estava tudo normal, repetiu o processo ate conseguir trocar todas as batatas.

Laplace começou a comer umas barras de cereais que tinha levado, olhou para o relógio era duas e quinze da tarde, resolveu pegar algumas coisas na sua casa para testar os ofudas, passou pelo quarto de sua avó que estava dormindo, pegou várias folhas de papel de seda, era o papel mais fino que ele possuía em casa, pegou um pincel, algumas canetas e levou para a caverna. O alarme do celular começou a tocar, estava na hora de colocar novos incensos e foi isso que ele fez, a energia agora estava mais pesada. Sentou em um canto da caverna, perto de uma vela, e começou a copiar o símbolo para manipular o fogo que estava nos papéis que tinha pego, quando o símbolo já estava pronto, abriu um aplicativo no celular que traduzia frases para outras línguas e escreveu a seguinte frase no aplicativo: Venha a mim fogo. Tentou repetir mais não conseguiu, a pronúncia do aplicativo era rápida.

- Seria tão mais fácil falar fogo venha a mim em português.

Ao terminar de falar, aconteceu duas coisas ao mesmo tempo, o fogo das velas aumentaram cinco vezes seu tamanho e a ofuda que estava em sua mão esquentou e logo em seguida virou cinza, sem ao menos ter pegado fogo.

- Idiota! - gritou para ele mesmo – Quase estrago tudo, a magia do portal é bem sensível! Onde estava com a cabeça?

As velas já tinha voltado ao normal, tudo parecia normal até a hora de adicionar novos incensos. O celular despertou e ele o fez. E foi só isso que ele fez, o celular despertava e ele adicionava novos incensos. Até que sua avó chegou, pediu para ele recitar o encantamento novamente. Agora a água estava girando mais rápida, e a fumaça começou a se inclinar suavemente para baixo indo em direção a água do lago. Como sua avó não tinha dito nada, deveria estar tudo normal, esse era o pensamento dele, então se despediu, foi para o seu quarto e dormiu.

Acordou de madrugada, tinha acabado de fazer uma hora. Pegou o mesmo papel e uma caneta e fez o mesmo símbolo, levantou o papel, se concentrou e falou:

- Fogo venha a mim!

Novamente o papel virou cinza, mas dessa vez nem esquentou, repetiu a mesma coisa três vezes e chegou a conclusão que era bem provável que essa magia era para controlar o fogo – se lembrou do que tinha acontecido com a vela – e não para criar um novo fogo. Pegou uma vela comum e acendeu ela, repetiu o mesmo procedimento e a única coisa que acontecia era o papel virar cinza. Tentou ser otimista, pelo menos ele tinha aprendido uma magia de fazer cinza. Ia tentar pela ultima vez, mas a tinta da caneta tinha acabado, então fez o símbolo com um pincel que tinha em cima da sua mesa.

- Fogo venha a mim.

Dessa vez o papel não apenas pegou fogo, como também começou a saltar pequenas bolas de fogo. O dedo do Laplace começou a queimar e ele soltou assustado, uma das bolas de fogo caiu em um monte de livros que estavam no chão do quarto que entraram em combustão rapidamente, pegou a coberta que estava em cima da cama, e jogou sobre os livros para apagar o fogo. Chegou a conclusão que ofudas não era seguro e tinha que comprar um extintor de incêndio.

Se antes ele não estava com sono, agora tinha perdido completamente a vontade de dormir, foi para sala e ligou a TV.

O celular despertou, era oito e cinquenta e cinco, saiu correndo para a caverna, nem se preocupou em comer.

- Desculpa! - Gritou para sua avó.

- Tudo bem! Eu deixei você descansar, eu poderia ter te acordado atravessando o espelho. Bom, agora é minha vez de descansar.

Laplace pegou os incensos e colocou mais três em cada batata, estava no terceiro dia do ritual, o último que ele podia falhar, tinha que ficar mais esperto daqui para frente, estava com saudades de Sophia. Nesse dia ele apenas trocou os incensos e mais nada.

A fumaça dos incensos fazia uma arco, uma espiral e se encontrava no meio do lago que nesse momento parecia um redemoinho. Ficou pensando como será que aquela magia funcionava, pensou em um sentido elementar. Tinha a água do lago, o fogo da vela e a fumaça do incensos que em muitas culturas representa o elemento ar. Mas tem um desequilíbrio, pois não tem o elemento terra, talvez é ai que entra a pedra de ether. Há também um encontro entre a fumaça e a água, ou melhor o ar e a água, mas por alguma razão o fogo não vai a esse encontro. Talvez o fogo representa a luz e não o elemento fogo em si. Laplace ficou absorto por um bom tempo em seus pensamentos e toda vez que o alarme tocava, ele trocava os incensos.

Dona Alderte voltou e trazia com ela a pedra de ether.

- Repita o ritual, quanto terminarmos, jogaremos a pedra  de ether no centro do lago!

Laplace seguiu o que sua avó tinha dito. Depois que lançou a pedra no meio do lago, a água parou de girar e a fumaça do incenso voltou a subir novamente como estava fazendo no inicio. O silêncio mortal do fracasso tomou conta do Laplace, pois ele tinha desperdiçado a única pedra, sentia que era culpa dele por causa do dia anterior. Depois de alguns momentos uma forte rajada de vento invadiu a caverna desfazendo o circulo feito com farinha de trigo e apagou a primeira vela.

- Deu certo! Agora é só esperar as outras velas apagarem. - disse dona Alderte com um sorriso confiante, colocando a mão nos ombro do neto. -Bom trabalho, agora temos que ser bem mais cuidadosos!

A alegria tomou conta de Laplace que não falou nenhuma palavra.

- Vou continuar aqui, ainda temos que trocar os incensos.

Laplace saiu da caverna, foi até um mercado, comprou comida, aproveitou a oportunidade e comprou um extintor de incêndio, comprou uma garrafa de vinho cara para comemorar. Chegou em casa atravessou o espelho e levou  comida para sua avó.

- Meu neto, você não vai acreditar! Eu nunca vi isso acontecer!

Laplace olhou para as velas que estavam todas apagadas e já pensou no pior.

- Deu errado?

- Não, deu certo, muito certo! Eu nunca vi um portal convergir tão rápido, era para as velas terem apagado nos próximos quatro dias, um em cada dia totalizando uma semana. Mas ela apagaram em questão de minutos, olhe para o lago.

O lago estava com um tom azul claro, mesmo tom da vela azul. Laplace saiu correndo pegou duas taças e o vinho que tinha acabado de comprar.

- Desculpe vó, mas ele está meio quente.

- Você não tem ideia do seu poder! - Alderte sorriu e começou a desenhar um círculo mágico com alguns símbolos usando a farinha que ainda havia no saco, pegou o vinho e colocou no centro.

– Repita comigo. Fluxo de calor saia, fluxo de calor saia, fluxo de calor saia.

Como sempre Laplace achava meio ridículo os encantamento de sua avó, mas fez, pois sabia que funcionava. A magia deu certo e a garrafa de vinho ficou bem gelada e os dois beberam, comeram e comemoraram. 



O inicio do portal

Alderte tinha um conhecimento muito bom de magia, Laplace não sabia que era possível criar portais que conectava duas regiões da mesma dimensão, as anotações de sua mãe não citavam isso, pelo menos não as partes que ele tinha lido. Alderte saboreava o sonho da padaria com uma cara muito feliz e tomava um suco que tinha acabado de pegar na geladeira da casa de Laplace.

- A criação de um portal é muito complicada e tem varias etapas para seguir. Primeiramente precisamos das velas.

- Sim. Na instrução estava escrito o uso de 5 velas de qualquer cor. Uma das coisas que influência o local que o portal vai ser aberto é as cores da vela, mas a abertura de um portal é algo tão aleatório que tanto faz.

- Não é tão aleatório assim meu neto! – Alderte interrompeu Laplace, pegou um guardanapo e limpou a boca. –  Há três fatores que interfere de maneira significativa na abertura de um portal. O primeiro é o lugar onde se tenta criar o portal, normalmente os portais se abrem para outra dimensão que seja a mais parecida com o lugar original. A segunda coisa é as velas, elas são usadas para contornar isso, velas brancas abrem na dimensão mais próxima e que seja mais parecida com a dimensão onde o portal foi aberto e velas pretas abrem para uma dimensão que se encontra longe, mas a distância depende de quanta magia você consegue usar. E as velas de outras cores, são como fatores de proporções entre a dimensão acessada usando só velas brancas ou só velas pretas. E temos outro fator que na verdade só é importante quando não se usa vela brancas, é o poder magico da pessoa. Ou seja não é algo aleatório, se um mago fizer o mesmo ritual, no mesmo lugar, com velas da mesma cor, tem uma alta probabilidade de abrir um portal para o mesmo local que o mago anterior a ele.

Para Laplace continuava sendo aleatório, uma vez que ele nunca tinha feito essa magia, não sabia o potencial do seu poder e até mesmo as cores que ia usar nas velas, mas resolveu não questionar sua avó. O destino de Sophia dependia de tantas variáveis que ele resolveu pensar no melhor e se focar por completo no que estava realizando naquele momento.

- Precisamos de velas mágicas. Elas vão ajudar na criação do portal deixando-o bem estável e economizando sua energia.

-Eu não faço ideia de onde tenha velas mágicas. Nas anotações de minha mãe ensina a fazer velas mágicas, mas nenhuma que auxilie em criações de portais. Onde vamos conseguir tais velas?

- Na fazenda tem várias dessas e outras coisas mais fantásticas. Me acompanhe!- disse dona Alderte com um pequeno sorriso nos lábios caminhando para a saída da caverna.

Fazia muitos anos que Laplace não ia na fazenda, frequentava ela quando seu bisavô era vivo, foi nela que ele aprendeu seus únicos conhecimento práticos de magia. Chegou na fazenda e ficou meio nostálgico ao ver as várias pedras com formato de folhas gigantes entre as árvores que se encontrava logo em frente a fazenda – ali aprendeu a teletransportar. Resolveu não entrar na fazenda, os empregados e os demais funcionários que tomavam conta da fazenda ficaram todos espiando disfarçadamente ele, sussurrando baixo como ele tinha crescido ou questionando o que ele tinha feito no cabelo para ficar todo branco, entre outras coisas. Nenhum teve coragem ou ousadia de lhe cumprimentar e ele também não queria ser sociável com ninguém.

Alderte saiu com cinco velas grandes, três com tom rosado claro beirando ao branco e duas azuis claro e entregou para Laplace. Carregava com ela algumas caixas de incenso e uma sacola cheia de batatas. Atrás dela havia duas empregadas carregavam alguns lanches.

- Vamos? - falou dona Alderte.

Alderte, Laplace e as duas empregadas foram para caverna. Chegando lá, as empregadas deixaram a comida e as velas na caverna e voltaram.

- Você esta com as anotações de sua mãe aí?

- Não! Está na minha casa.

- Então pegue-as, vamos precisar delas!

Laplace atravessou o espelho e ele tinha que concordar que o portal no espelho iria ser muito útil, pegou as anotações e voltou para a caverna. Dona Alderte já havia colocado as velas ao redor do lago, colocou as velas azuis entre as velas rosas. Entre as velas colocou as batatas e em cada batata três incensos, quando ele chegou perto dela, ela estava terminando de colocar o último incenso. Um dos empregados tinha acabado de chegar com um saco bem grande de farinha de trigo, deixou no chão em um canto e saiu. A parte mais fácil do ritual estava pronta.

- Usando a farinha de trigo desenhe um círculo e o símbolo principal, enquanto isso vou fazer os símbolos secundários.

Laplace pegou a farinha e começou a jogar no chão com o maior cuidado possível, sabia que não tinha habilidade para isso, mas se esforçou ao máximo. Dona Alderte fazia os outros símbolos.

Estava pronto. Laplace entrou em um dos círculos e começou a ler o encantamento, primeiramente uma a uma as velas foram acendendo. Logo em seguida os incensos que começaram a emitir uma fumaça bem visível para cima.

- De agora em diante só a gente entra nessa caverna. Os empregados não vão poder mais nos ajudar.

- O que devemos fazer agora?

- Quantas horas são agora?

- 18 horas! – Falou Laplace pegando o celular no bolso.

- Coloque um alarme para despertar a cada uma hora. Agora vamos fazer uma divisão, vou ficar na caverna até as seis horas da manhã do outro dia e você ficar das seis horas da manhã até as seis horas da noite. A cada uma hora você tem que colocar três novos incensos nas batatas. E é só isso, temos que tentar ser o mais precisos possível, mude o tempo dos alarmes para cinco minutos antes.

- E se não conseguirmos?

- Nos primeiros dias não tem importância, começaremos de novo. A parti do terceiro dia desse ritual usaremos a única pedra de ether que temos e se falharmos teremos que conseguir outra para criar esse portal novamente.

Conseguir outra pedra significava roubar de outra família, Laplace sentia que não tinha poder para isso depois do que havia acontecido na mansão de Mizuki.


Dia incrível!!!

Um novo dia começava, Laplace não estava muito animado, mas sabia que tinha que continuar tentando, sua avó tinha lido as cartas e ele sabia que as cartas não mentiam, algo pesava em sua mente, o fracasso do dia anterior. Levantou da cama e começou a ler a segunda página do diário de Sophia.

Hoje foi incrível!

Encontrei com a Ju, arrumamos e vamos para uma competição de arco e flecha – confesso que não sabia que existia competição assim na região e muito menos que o irmão da Babi, Lucca, praticava esse esporte. Uma das poucas coisas que me deixou triste hoje foi quanto encontrei com a Babi, ela continuava me dando gelo e eu nem sei o motivo, queria muito voltar a falar com ela, puxo assunto e ela simplesmente ignora, muito infantil da parte dela. E sinto pena da Ju porque ela está no meio de um clima tenso, eu no lugar dela não saberia o que fazer. O lugar da competição era bem bonito, havia um lago no meio onde diziam que era um lago do desejo, peguei duas moedas e joguei nas águas cristalinas, a primeira foi pedindo para reencontrar com o menino do cabelo branco, a segunda foi para a Babi me desculpar.

Finalmente a competição! A competição funciona mais ou menos da seguinte maneira: Há 12 séries de 3 flechas em cada distância, e há no total 4 distâncias. Totalizando 144 disparo para cada competidor - achei que ia demorar muito, mas nem vi o tempo passar - eu não estou lembrando a distâncias ao certo, só que aumentava de 20 em 20 metros, a pontuação é a soma disso tudo. Aqui que vem a melhor parte do meu dia, sim era ele! Uma grande felicidade veio no meu peito, queria gritar - nunca me sentir assim. O lago do desejo realmente funcionava! E funcionava rápido. Fiquei muito feliz! A competição foi inclivel. A competição foi incrível, o Lucca ficou em oitavo lugar e o “menino-do-cabelo-branco” em terceiro. No final ficamos esperando Lucca sair, ele estava muito feliz com sua colocação e falava que ia treinar cinco vezes mais para a próxima competição.

Ju logo ligou os pontos e a doida saiu me puxando até o menino de cabelo branco, ele estava sozinho, aparentemente ninguém tinha ido ver ele competir. Ju foi de cara perguntando o nome dele. Laplace, foi a resposta seca que ele deu, ele parecia estar meio triste. Ju logo saiu de perto de nos dois, e voltou para o Lucca. Estava morrendo de vergonha. Dei o parabéns para ele, e ele agradeceu, ficamos um tempo em silêncio. E ele sorriu para mim e soltou um “como anda minha Sakura Loira”. Fiquei vermelha. E ficamos conversando normalmente um bom tempo. Ele pediu meu número, anotei em um papel, ele me passou o dele. Ju veio me chamar para ir embora. E foi isso o que aconteceu no meu dia. Ou melhor ainda falta algo! A mais ou menos 5 minutos a Babi me ligou pedindo desculpas, ela não falou o motivo e eu não questionei. Lago do desejo tem 2 vitorias!

Obs.: Lembrei que não escrevi meu nome no papel que passei para o Laplace, ele até hoje não sabe meu nome. =/

A leitura renovou um pouco seu ânimo. Pegou os papéis que estavam no carro e levou para o seu quarto. Logo em seguida leu o bilhete da sua avó, chegou a conclusão que sua avó poderia esperar só mais um pouco, entrou no carro e foi visitar Sophia.

- Eu juro para você que tudo vai dar certo! – Falou Laplace segurando a mão de Sophia. - Ontem eu fui um irresponsável, vou tentar me cuidar melhor. Só queria que você pudesse me abraçar agora.

Novamente não ficou muito tempo no hospital. Devolveu o carro alugado, pegou um táxi, passou em uma padaria comprou um sonho e aproveitou e tomou um café. Voltou para casa e ligou para sua avó.

- Alô! – Falou dona Alderte do outro lado do telefone.

- Bom, eu fiz as duas coisas que você me pediu. Comprei um sonho e te liguei.

- Bom meu neto. Vai para o espelho que está no quarto de hóspede, o quarto que estou usando.

- Para quê isso?

- Só vá! Não me questione!

Laplace fez um pouco de hora e foi para o quarto um pouco mau humorado.

- Estou aqui.

- Debaixo do travesseiro há uma sacola e um papel. Pegue os dois, siga a instruções do papel e não esqueça o sonho, até daqui a pouco.

Na sacola havia um pó brilhante com um tom verde, a instrução mandava jogar o pó em frente ao grande espelho que havia no quarto e dizer 13 vezes “espelho, espelho, reflete onde o seu outro eu está.” Achava um pouco ridículo aquilo, mesmo assim fez e então o espelho começou a refletir uma espécie de gruta que estava mal iluminada e também mostrava sua avó, que foi indo na direção do espelho e atravessou metade do corpo para dentro do quarto.

- Anda, venha! - Alderte puxou o braço do Laplace e os dois atravessaram o espelho.

Laplace ficou admirando a beleza do lugar por um tempo. A caverna tinha alguns aberturas na parte superior que permitia a passagem da luz que dava um belo efeito de iluminação, a maioria dos feixes de luz batia no lago que tinha uma água cristalina.

-Você ficou me esperando aqui o tempo todo?

- Logico que não, estava na fazenda que é muito mais confortável, sabia que você só ia me ligar hoje. Com isso resolvemos a questão da distância entre a gruta e Sophia. Você trouxe meu sonho? Fiquei com muita vontade de comer.

-Está aqui! – Laplace entregou o sonho para sua avó.


A fuga!

Laplace estava em uma espécie de escritório, tinha visto uma sala com livros enquanto estava sendo escoltado, agora estava na sala, seus cálculos tinham sido extremamente precisos e por sorte não tinha ficado preso dentro de algum objeto, estava cansado, a fadiga mental e física provocado por essa magia era enorme, Laplace tinha um plano de fuga, mas antes precisava recuperar sua energia, tinha que ser rápido, pois Mizuki provavelmente sabia que o seu teletransporte não ia ser o suficiente para conseguir escapar da barreira e já estaria atrás dele nesse momento.

O escritório era um lugar grande, as paredes tinham um tom vermelho, havia várias janelas, uma grande mesa, uma estante cheia de livros e havia três portas, duas que estavam ao mesmo lado e provavelmente daria para o mesmo corredor. Laplace tentava esconder sua presença, infelizmente não conhecia nenhuma magia que o deixaria invisível, então teria que evitar ser visto a qualquer custo. Ainda tinha alguns cristais e um dos itens mais precioso da sua família, a faca que outrora tinha sido da sua avó, que passou para sua mãe e que agora era sua, provavelmente estava na sua família a anos, um dos poucos itens que seu pai não tinha levado, a faca se encontrava escondida no baú de cristal que o seu bisavó tinha lhe dado, cheio de cristais encantados, o que o seu pai facilmente ignorou e nem se preocupou em destruir.

A primeira coisa que o laplace fez foi trancar as portas que davam para os corredores, estava muito barulhento do lado de fora, o que mostrava que ele tinha pouco tempo, nas portas ele usou mais dois cristais, esses eram da cor azul, os cristais criaram uma barreira na parte de dentro da sala, desse modo, ninguém conseguiria abrir as portas e não perceberiam a barreira, Laplace sabia que aquilo era inútil, mas provavelmente a única pessoa que conseguiria arrombar a porta seria a própria Mizuki. Não estava sentindo a presença de nenhuma pessoa com o dom de magia por perto, além da Mizuki, mas sabia que não sentir nada, não implicava que não havia alguém poderoso por perto.

Enquanto recuperava a sua energia, teve a ideia de olhar os livros do escritório, queria encontrar algum livro com ensinamentos de magias de cura, uma vez que Mizuki negou ajuda, talvez tivesse sorte ao encontrar algum livro com conhecimento que pudesse ajudar Sophia, novamente veio na sua mente que a sorte não estava sorrindo para ele.

Havia vários livros, a maioria empoeirados, mas nenhum útil. Laplace ficou atento ao escutar algo correndo pelo corredor. Tentou dar uma olhada o mais rapido possível no livro, viu que alguém tentou abrir a porta em um esforço falho, agora era apenas questão de minutos até Mizuki encontrá-lo, não tinha mais tempo tinha que se teletransportar, tentou e não conseguiu, precisava conseguir mais tempo, se esconder, lembrou da terceira porta. Só lhe restava mais dois cristais e sua magia não era forte o suficiente para ganhar de Mizuki em um duelo arcano, então foi em direção a terceira porta, tentou abri-la, mas ela estava trancada. Pegou distância, saiu correndo e com um chute, tentou arrombar a porta, depois de mais duas tentativas desistiu. Pegou um dos cristais que estava dentro do seu bolso, de cor amarela, colocou perto da maçaneta da porta e torceu para que o seu poder fosse o suficiente. O cristal começou a ficar com um tom mais forte e quase que instantaneamente começou a brilhar, depois de uns cinco segundos a maçaneta explodiu em dezenas de fragmentos, fazendo Laplace dar um salto para trás espantado. Ele conseguiu, a porta estava aberta.

Era uma pequena sala, tinha uns papéis caídos no chão e alguns na mesa, havia também uma tela usada normalmente para fazer desenhos técnicos, nela tinha alguns símbolos provavelmente chinês ou japonês, nada muito útil, nem se preocupou em fechar a porta, o estrago nela era evidente de mais, tinha que achar outro lugar para se esconder. Algo chamou a sua atenção em um dos papéis, havia algo parecido com Ofudas, tentou reunir os papéis, provavelmente era o primeiro indício de algo relacionado com magia que tinha visto, por ironia a explosão que ele provocou fez com que os papéis se espalhassem por toda a sala.

Uma grande explosão. Mizuki veio voando em direção a Laplace, que rapidamente pegou alguns papéis, e segurou o último cristal vermelho. Mizuki pega várias agulhas e lança na direção de Laplace que tenta ser rápido e joga o cristal vermelho no chão, fumaça toma conta do lugar.

Laplace conseguiu teletransportar novamente, reparou que tinha uma agulha em um dos seus braços, tirou e tentou andar, em direção ao campo de força, por sorte não tinha ninguém para tentar pará-lo. Provavelmente todos os guardas estavam dentro da casa, pegou sua faca e sem muito esforço conseguiu cortar um buraco na barreira mágica. Mizuki explodiu uma das paredes do escritório, ao reparar que o Laplace estava do lado de fora, foi voando em sua direção. Laplace entrou em no meio do mato, começou a correr e tentou se teletransportar, se virou e reparou que Mizuki não estava muito longe dele, a adrenalina fez com que ele corresse o mais rápido que conseguia, mas tinha algo errado, o seu braço estava pesado, quando ele olhou, viu que seu braço estava virando pedra! Mizuki acertou outra agulha em Laplace, dessa vez em sua perna direita que começou a ficar cada vez mais pesada. a jovem alcançou Laplace que já não conseguia andar direito, preparou uma agulha e mirou no pescoço dele. Quando a Mizuki tentou dar o golpe final algo a impediu... era Jun Yi.

Nenhuma palavra foi dita pelo dois, apenas uma troca de olhares, a mensagem tinha sido entendida, Mizuki recuou, o braço de Laplace estava totalmente transformado em pedra e seu ombro começou a se petrificar também, assim como sua coxa. Jun Yi em profundo silêncio tocou em seu braço, uma onda de energia preencheu Laplace acalmando-o e aquecendo-o , seu corpo voltara ao normal. Tentou falar algo, agradecer, contar sobre Sophia e pedir ajuda, mas simplesmente não conseguiu emitir nenhum som.

- Estou pagando um favor que devia para sua mãe! – Falou Jun Yi – Se você presa pela sua vida, nunca mais volte aqui – O velho desapareceu no ar.

Laplace foi para o carro, estava cansado e sujo, começou a a dirigir sem rumo, o silêncio tomava conta do seu ser, não pensava em nada, só dirigia, ficou um bom tempo assim, até que encontrou um hotel no meio da estrada. Saiu, pagou um quarto e foi para o banheiro.

Assim que a água encostou no seu corpo, um sentimento de fracasso se apossou dele e o aviso de sua avó lhe veio a mente. Pensou em Sophia, em sua mãe, na sua falha e inocência, era muitas informações para processar, como ele podia ser tão idiota! Por quer ele era tão fraco? O pouco de magia que sabia tinha aprendido com seu bisavô e era truques de criança comparados ao que Mizuki podia fazer. Ficou quase uma hora no banho, debaixo da água gelada. Se secou, pegou o carro e foi em rumo a sua cidade.

Nem se preocupou em saber as horas, só sabia que estava escuro. Precisava ver Sophia, mas não conseguiria, não tinha como se teletransportar para o quarto dela.Aceitou sua fraqueza e foi para sua casa. Era tarde demais, aparentemente sua avó não estava em casa, tinha um recado colado na geladeira, simplesmente ignorou e foi para seu quarto dormir.