segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Dia Chuvoso

A chuva caía do lado de fora, Laplace olhava para a única pessoa que ele se importava no universo e ela estava morrendo. E com isso ele também morria, não uma morte física, mas sua alma afundava no reino da morte rapidamente. Estava em um quarto de hospital, segurando a mão macia de sua amada Sophia.

- La! - falou a Sophia com seus olhos fechados – Obrigada por cuidar de mim!

- Não precisa agradecer por isso, meu bem.

- Eu sonhei com o dia que a gente se conheceu. Você ainda se lembra?

- Sim, sim. Foi em um festival de anime.

- Estava vestida como Sakura.

- Sim. Sim. Bons tempo aqueles. Você é a minha Sakura loira.

 - Você me criticou por isso – Sophia abriu os olhos. – Falou que eu poderia ter usado uma peruca.

- Era brincadeira
.
-É, eu te retruquei, falando que um fantasma de lençol de florzinha não tinha o direito nenhum de me criticar.

Os dois começaram a rir alto, a chuva se tornou uma tempestade sombria e agitada, com ventos uivando e relâmpagos rasgando o céu escuro.

- Naquela época eu queria muito poder fazer magia, ter as minhas próprias cartas Clow. E jurei para todos que um dia iria conseguir. Meus amigos riram de mim, falaram que eu tinha que crescer e que era ridículo uma menina de 16 anos, sonhar com isso. E você, o fantasma do lençol, que nem me conhecia, me chamou para tomar uma raspadinha de gelo... E falou para não desistir dos meus sonhos!

- Sim, eu me lembro! Falei que você era velha demais para ser uma garota mágica, mas poderia adquirir o título de sacerdotisa, a mais bela sacerdotisa dos conhecimentos ocultos.

- Sim, e eu comecei a chorar, sempre fui meio chorona! E você tinha um lenço no bolso, e me deu. Eu não tinha percebido naquela época, mas tinha encontrado o amor da minha vida... E você foi a melhor coisa que já aconteceu comigo! Eu te amo muito!

-Eu também te amo.

-Eu pedi para minha mãe trazer uma coisa ontem – Sophia se levantou um pouco, devagar, se inclinou e pegou uma caixa que estava em uma mesinha ao lado da cama. - vamos ficar um bom tempo sem nos vermos, estou com medo de que seja para sempre.

- Não fale isso Sophia! Por favor não fale, tudo vai dar certo! – Laplace, gritou ao mesmo tempo que começava a chorar.

- Por favor deixa eu terminar! – disse Sophia com um sorriso no rosto. Abriu a caixa e dentro dela havia um envelope, um diário, um lenço, um mangá da primeira edição da Card Captor Sakura e uma foto dos dois juntos no festival de anime onde ela sorria fantasiada de Sakura e ele segurava o lençol florido com a mão direita e abraçava ela com a outra mão. – Eu quero que você fique com isso.

- Eu me recurso! São suas coisas, o mangá que te dei.

- Por favor! – sussurrou Sophia - Por favor, fique com elas.

-Tudo bem, mas quando você sair do hospital eu te devolvo tudo!

- Dentro do envelope tem vinte e três cartas, sendo dezenove que estão no mangá, a minha carta preferida no anime, e a sua também, uma carta que eu inventei, e uma carta em branco para você inventar uma. Fui na gráfica e imprimir os modelos em branco, e comecei a fazer os desenhos neles, deste a minha última recaída.

- O horário de visita acabou, senhor! – avisou a enfermeira, entrando com uma bandeja onde havia vários comprimidos.

- Ok! - Um aperto tomou conta de seu coração e uma tristeza caiu sobre ele. - Sophia, você vai ficar bem, eu prometo! - Ele lhe deu um abraço demorado e um beijo carinhoso e saiu do quarto.

A enfermeira deu alguns comprimidos para Sophia, que rapidamente caiu em um sono profundo, a tempestade estava muito mais forte. Laplace caminhou para o banheiro, lavou seu rosto, se olhou no espelho e reparou que estava barbudo e cabeludo, já tinha meses que não fazia nenhum dos dois. Passou na sala de espera, cumprimentou alguns parentes de Sophia que ainda estavam no hospital e depois foi para o lado de fora do hospital, observar a chuva.

Abriu o envelope e a primeira carta que estava lá era The Arrow, a carta capturada no primeiro filme, era a carta preferida dele, gostava muito de praticar com arco e flechar.

- A vida é injusta!

A tempestade não passava, o primo de Sophia estava de carro e ofereceu uma carona para o Laplace. Chegando em casa, viu que havia várias mensagens no seu telefone da sua avô, excluiu todas. Subiu no sótão e começou a procurar pelo baú antigo da sua família, ele pensava que realmente deveria fazer algo para ajudar Sophia, mas desistiu da ideia e deixou o baú onde estava, intocado. Foi direito para o seu quarto, pegou o telefone e colocou ao seu lado, deitou na cama e começou a chorar.


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